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Febre
Aftosa: o governo escondendo-se atrás dos recursos
O posicionamento do presidente Lula
no caso do foco de febre aftosa, no Mato Grosso do Sul, demonstrou
mais uma vez o descaso com que o Planalto trata o setor agropecuário
brasileiro ao adotar a estratégia de se defender apontando um
culpado - no caso os pecuaristas.
São muitas as hipóteses sobre o
foco e nem sabemos no momento de tantas especulações se é possível
rastrear a sua origem. O fato é que ele é uma realidade e o
governo não pode se eximir de responsabilidade, escondendo-se atrás
de assertivas sobre a disponibilidade de recursos, quando todos que
militam no setor agropecuário sabem que eles eram escassos. Se o
governo não é responsável então porque a existência do serviço
de inspeção como uma atribuição pública?
Quando é para ressaltar as
grandiosidades, lá vem o presidente Lula na imprensa falando do
desempenho de nossas exportações e o resultado da balança
comercial e chama para si o méritos destes fatos. Mas nós sabemos
que são frutos do trabalho de empreendedores do campo que correm
riscos sem nenhum apoio. Quando aparecem os erros, somos nós os
culpados.
Assim temos sido testemunhas do
esforço do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que desde o
início de sua gestão, elegeu a sanidade animal como prioridade. Se
dependesse dele temos certeza que estaríamos vivendo outra história.
No caso atual os proprietários
afirmam que os seus próprios técnicos vacinaram os animais. Mas
parece que o governo não fez a sua parte. A vacinação é de fato
responsabilidade dos pecuaristas, que devem comprar a vacina e
vacinar o seu rebanho. Ao governo compete a fiscalização sobre a
qualidade da vacina, o transporte até o ponto de venda, a emissão
das guias de transporte de animais e as barreiras sanitárias nas
fronteiras.
O que menos importa no momento é
dizer se os recursos existiam e porque não vieram na hora certa e
para os fins a que se destinavam.
Não são só rebanhos,
propriedades e bens materiais que constituem o nosso patrimônio.
Verdadeiramente é o nosso Brasil que entregamos nas mãos de quem
prometeu mudanças. Que mudanças!
Jorge Rubez
- Presidente da Leite Brasil (outubro/2005)
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