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Brasil,
celeiro do mundo século 21?
Em 2004 o Brasil deu uma grande
arrancada na sua meta de ser um dos maiores vendedores mundiais de
produtos agrícolas. Estão aí os recordes das exportações deste
ano, a maior atenção dada pelo governo aos agronegócios, o
otimismo que contagiou os empresários do setor, a
confiança dos produtores em seu potencial, entre outros
sinais. Foi-se a época em que o Brasil só sabia vender café.
Comemorações à parte, o próximo
passo do Brasil é procurar ser tão eficiente na exportação como
já é na produção agrícola.
Temos ainda muito que aprender. Nesse aspecto, não poderia
ser mais feliz a iniciativa desta Expomilk de promover o simpósio
Brasil Celeiro do Mundo – Século 21. É natural que o evento se
concentre mais nos grãos e nas carnes, já que tais produtos são
as grandes vedetes das exportações.
Entretanto, não podemos esquecer
que o leite brasileiro tem também grandes chances lá fora. Ao mínimo
esforço, as exportações cresceram de forma vertical.
Sem dúvida, o leite terá uma grande missão a cumprir no
mercado mundial, dando volta por cima de seu passado recente, quando
o Brasil foi um dos maiores importadores de lácteos do mundo, mesmo
com a grande resistência movida pelos produtores.
Não temos dúvidas de que essa
mesma resistência seus outros produtos encontrarão no mercado
externo. Nenhum produtor estrangeiro gosta de sofrer concorrência
externa. Isso se vence não apenas pelo menor preço, mas também
pela melhor qualidade. É exatamente isso que Brasil precisará
oferecer a seus clientes, caso pretenda ser o celeiro do mundo.
Sem dúvida, nossos maiores
problemas estão fora da porteira, como a grande distância do
mercado europeu e asiático, o alto custo das tarifas de seus
portos, o sucateamento de suas estradas. Tem ainda o protecionismo
agrícola, mas felizmente este está se amainando. É preciso
registrar que a exportação, por envolver muitos interesses,
precisa também de muita política.
Veja o recente surto de aftosa no
Amazonas e a recusa da China de receber nossa soja. São problemas
de ordem sanitária, mas que somente se resolvem com muita
habilidade política, embora o ideal é que eles fossem evitados.
Mas nem sempre isso é possível. A Inglaterra não exportou
derivados de sangue de pessoas contaminadas com o mal da vaca louca?
Enfim, a exportação é um suceder de desafios. Todo dia, tem-se de
matar um leão.
Tudo isso e muito mais, certamente
será discutido no seminário da Expomilk 2004. É um evento que
se destaca tanto por tratar de um tema de grande atualidade,
como por reunir grandes especialistas do assunto: o ministro da
Agricultura Roberto Rodrigues, o presidente da Comissão de
Agricultura da Câmara Federal, o deputado Leonardo Vilela, e o
jornalista Joelmir Beting, Xico Graziano, Marcos Jank e Paulo
Martins
Um time de debatedores de primeira,
que certamente dará muitas luzes para o público.
Jorge Rubez
- Presidente da Leite Brasil (outubro/2004)
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