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Assunto
aparentemente resolvido em 2001, as importações lácteas
do Brasil voltam a fazer parte de nossas preocupações.
Bastaram apenas dois meses deste ano para elas crescerem de novo.
Em janeiro e fevereiro de 2002 foram importadas somente de leite
em pó 14 mil toneladas, volume 300% maior do que o do último
bimestre de 2001.
As
importações foram impulsionadas pela redução
dos preços do produto no mercado mundial. Colocada no Brasil,
a tonelada de leite em pó caiu de US$ 2 mil para perto de
US$ 1.800. Esta tendência contraria o histórico dos
últimos três anos, onde janeiro e fevereiro sempre
foram meses de queda nas importações.
O
aquecimento das importações demonstra claramente que
está sobrando leite no mercado externo e faltando no mercado
interno, refletindo o forte desestímulo que foi submetido
o produtor no ano passado. Mas não explica a lenta recuperação
dos preços para o produtor, como está ocorrendo. A
maior preocupação do produtor de leite é a
de evitar que as importações sejam mais baratas do
que o seu produto.
Num
mercado globalizado sempre existe o risco das empresas compradoras
de leite de um país optarem pelas importações,
quando estas lhes são favoráveis sob o ponto de vida
econômico, do lucro fácil. Os indicadores de paridade
de custos entre os dois mercados ainda não assustam, mas
é bom ficar com as antenas ligadas.
Há
que haver menos mercantilismo por parte dessas empresas, não
agindo de forma contrária aos interesses nacionais, mas a
favor do crescimento da produção brasileira e do auto-abastecimento
do mercado. O governo precisa também estar consciente de
que qualquer medida que facilite as importações, inclusive
as de nossos parceiros do Mercosul, trarão reflexos imediatos
no campo, principalmente na área do emprego. A promessa que
recebemos do governo é de que não vai facilitar a
entrada de leite importado. Esperamos que esse compromisso seja
mantido.
Nossa
saída poderia ser a exportação, mas este é
um projeto de longo prazo. Por isso, temos que pensar no agora e
manter a pecuária leiteira abastecendo nosso mercado.
Os
produtores brasileiros não podem se afastar de suas entidades
que, dentro de suas possibilidades, estão fazendo um bom
trabalho de defesa dos interesses da classe. A união de todos
é o fator mais decisivo no trabalho de recuperação
do preço do leite. Estamos nos antecipando sobre as tendências
do mercado. Precisamos todos ficar em estado de alerta máximo
e lutar para que o produtor não pague mais uma vez a conta.
Jorge Rubez - Presidente da Leite Brasil (Março/2002)
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