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O
mundo precisa de uma nova "Constituição"
Nos
hotéis de Rondonópolis tem sempre grupos de cinco,
seis, norte- americanos que foram para lá para aprender como
e planta soja. Esse fato pode ser um absurdo para quem desconhece
o potencial do nosso campo, mas é isso mesmo que está
acontecendo naquela efervescente cidade do estado do Mato Grosso,
campeã mundial de produtividade do grão.
Essa
prova de eficiência da agricultura brasileira está
deixando em estado de alerta os produtores rurais dos Estados Unidos,
sendo um complicador a mais na política de subsídios
agrícolas daquele país. Se antes eles existiam por
mera tradição, agora se tornam uma inevitável
necessidade porque agora o que está em jogo é sobrevivência
das commodities americanas no mercado interno e externo.
A
perda de competitividade da agricultura norte-americana, algo jamais
sonhado até pouco tempo atrás, não sairá
barato para os países que concorrem com ela, caso do Brasil.
Certamente haverá forte pressão do lobby do setor
no Congresso Nacional para aumentar o volume dos subsídios,
aliás, como já está acontecendo. Eles podem
chegar a US$ 50 bilhões, como escreveu o professor Marcos
Jank em recente artigo no Estadão.
Tais
reflexões trazem à luz o mais grave problema da atualidade,
o protecionismo comercial, pois a ele estão agregados muitos
outros: terrorismo, povos vivendo abaixo da linha da pobreza, imigrações
clandestinas, violência urbana. Como colocar um paradeiro
definitivo nessa intrincada situação, se os próprios
países industrializados não enxergam, ou não
querem enxergá-la, mesmo sabendo que também são
vítimas dela ?
Para
desatar esse nó cego, não tem outra saída senão
promover com urgência o reordenamento do mundo, à semelhança
do que foi feito em 1944 no famoso Tratado de Bretton Woods. O planeta
está tão desarrumado em todos seus aspectos, que de
nada adianta ficar discutindo questões pontuais, como subsídios
agrícolas, efeito estufa, alimentos transgênicos, proscrição
das armas químicas, etc. A discussão tem que ser ampla,
geral.
Todo
país tem sua Constituição, que é sempre
reescrita para ficar de acordo com as mudanças que acontecem
no seio da sua sociedade. Numa linguagem figurada, o mundo também
possui a sua “Constituição”, mas só
que ela parou no tempo, não acompanhando as fenomenais revoluções
políticas, tecnológicas e sociais que se sucederam
nas últimas décadas.
Sua
atualização é fundamental para que o mundo
possa viver em harmonia !
Jorge Rubez - Presidente da Leite Brasil (Março/2002)
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