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Como
foi 2001 e como será 2002
Começamos
2001 muito bem. Logo em janeiro o preço do leite teve uma
boa alta, graças à criação no país
de direitos antidumping nos lácteos importados. Uma lei pioneira
no setor, graças à atuação da Confederação
Nacional da Agricultura e da Leite Brasil.
Como
conseqüência, os lácteos estrangeiros tornaram-se
mais caros, as importações reduziram-se e, obviamente
o preço do leite subiu. Essa situação infelizmente
foi passageira. Os preços caíram, caíram e,
em plena entressafra, chegaram ao fundo do poço, coisa nunca
vista no país.
Isso
aconteceu porque os compradores de leite adotaram a estratégia
de suspender seu recebimento para frear a onda altista que ele vinha
tendo. Essa operação surtiu efeito. Teve regiões
em que os preços caíram quase 50%! Enquanto a classe
não se unir da maneira que é necessária, continuará
pagando o preço da sua desunião.
Outro
desapontamento que tivemos em 2001 foi o incrível engavetamento
das novas normas de produção. Pensávamos que
tudo não passava de burocracia do Ministério da Agricultura,
mas depois vimos que o motivo era as próximas eleições.
Candidatos a governadores, deputados, alegaram que as novas normas
eram desfavoráveis aos pequenos produtores, conseguindo adiar
sua entrada em vigor.
Outro
motivo de desapontamento em 2001 foram as CPIs do leite. Renderam
mais barulho do que resultados, pois não discutiram a questão
central, que é a queda de renda dos produtores. Esperamos
que as CPIs voltem neste ano, mas com mais atenção
no aspecto econômico da atividade.
Mas
também tivemos coisas boas em 2001, como o soerguimento tecnológico
dos produtores, evidenciado de forma indiscutível pelo fim
da sazonalidade da produção na entressafra, fenômeno
nunca antes verificado no país. O produtor está ficando
mais competente, mais profissional.
O
que nos espera em 2002 ? Fazer previsões é um risco,
mas vamos lá. Teoricamente este ano será melhor para
o produtor sob o ponto de vista de renda. As leis econômicas
nos ensinam que um movimento de baixa é seguido por um movimento
de alta, aliás, como já começou a acontecer
no final de janeiro. Já está faltando leite no mercado
e os preços para o produtor começaram a subir.
No
tocante à produção, acreditamos que ela continuará
aumentando no mesmo ritmo que vem tendo nos últimos anos.
Se acontecer, em 2002 o país poderá ocupar a posição
de quinto maior produtor mundial, atrás apenas da União
Européia, Estados Unidos, Rússia e Índia.
O
Brasil pode se destacar mais ainda na atividade, desde que vença
seus grandes desafios: adotar uma política de preços
mais justa, criar a cultura da exportação de lácteos,
promover o marketing institucional do leite e fazer ver ao produtor
que a solução de seus problemas está nele mesmo,
bastando apenas apoiar com mais ênfase suas entidades de classe.
Vamos
vencê-los? Essa é uma pergunta de difícil resposta.
Quem sabe os jovens produtores consigam. Esse é outro grande
desafio: preparar aqueles com espírito de liderança
e senso de responsabilidade para assumir postos de comando nas nossas
organizações políticas e econômicas.
Jorge
Rubez – Presidente da Leite Brasil
Janeiro/2002 |