Precisamos
criar o Popeye do leite
Em
breve finalmente o Brasil terá novas normas de produção
de leite e derivados. A principal missão do mandamento que
vem aí é a de aumentar a qualidade da matéria
prima em todo circuito operacional, de forma com que os produtos
cheguem ao consumidor dentro dos padrões exigidos pelo mercado
internacional.
Em
alguns aspectos, uma expressiva parcela do setor já se antecipou
às exigências federais. Vejamos o exemplo da obrigatoriedade
da implantação do transporte a granel do leite, ponto
chave para a melhoria da qualidade, onde já é possível
registrar notável dinamismo. Existem laticínios em
que esse sistema cobre 100% da captação.
As
novas normas neste primeiro momento vieram para atender o desejo,
aliás, o direito natural do consumidor brasileiro de alimentar-se
com a máxima segurança. Por questões salariais,
é óbvio que o preço é ainda um fator
de peso em sua decisão de compra, mas preço por preço
ele sempre leva o produto que lhe passa a percepção
de melhor qualidade.
Num
segundo momento, as novas normas têm a finalidade de preparar
o terreno para uma meta que muitos hoje consideram utópica
no caso do Brasil: a exportação de lácteos.
Sonho ou não, pelo menos já demos o primeiro passo
nesse sentido, com a implantação de um processo de
melhoria da qualidade do nosso leite através das novas normas.
Sem isso, é sonho mesmo querer entrar no mercado externo.
O
motivo que nos faz raciocinar em termos da exportação
é elementar. A produção brasileira de leite
está crescendo mais do que o consumo e em pouco tempo teremos
excedentes internos. O ideal mesmo seria aumentar o poder aquisitivo
da nossa população para que possa ingerir mais leite,
mas como isso não se faz da noite para o dia, onde colocar
o excesso, senão em outros países?
Acreditamos
que existem nichos no mercado internacional que podem ser muito
bem explorados pelo leite brasileiro. Que tal o “leite verde”,
oriundo de vacas vivendo da forma mais natural possível nos
pastos, tão a gosto do povo europeu? Que tal desenvolver
produtos lácteos com sabores tipicamente tropicais? Que tal
abrir o mercado das nações africanas, com as quais
temos afinidades culturais de raízes?
Sem
dúvida alguma o desafio é imenso, mas continuar na
mesmice de sempre, sem tentar descobrir novas saídas para
um problema que logo mais estará nos nossos calcanhares,
pode ser o presságio de tempos muitos mais difíceis
pelos quais já passou a nossa pecuária leiteira.
Enfim,
além das novas normas de produção, necessitamos
também de criatividade. Nessa hora lembramos do Popeye dos
desenhos animados. Ele foi inventado pelos produtores de espinafre
dos EUA, que não tinham mais onde colocar a safra. Popeye
foi para a mídia, vendeu todo o espinafre que existia no
país e tornou-se até hoje o melhor exemplo de uma
campanha de marketing bem sucedida!
Jorge
Rubez - Presidente da Leite Brasil
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