A
origem do drama do leite
Nos
Estados Unidos 70% do leite passam pelas cooperativas. Na Nova Zelândia
uma cooperativa controla toda a exportação de lácteos.
Na Holanda toda a inseminação do gado leiteiro é
feita por uma cooperativa. No Uruguai uma cooperativa é a
segunda maior empresa do país.
Esses
exemplos mostram como é forte a ligação entre
o cooperativismo e os produtores daqueles e de outros países.
A experiência secular mostrou-lhes que não existe sistema
econômico melhor do que o cooperativismo para defendê-los
de uma estrutura de mercado desequilibrada, onde existem muitos
vendedores fracos para poucos compradores fortes, o chamado oligopsônio.
No
Brasil, a história do cooperativismo foi diferente. Teve
uma fase empolgante, que se caracterizou pela formação
de centenas de cooperativas regionais e sete grandes centrais. O
sistema chegou a controlar 80% do leite produzido no país,
com o conseqüente domínio do mercado varejista das grandes
capitais.
Essa
fase estendeu-se até início dos anos 90, quando o
cooperativismo entrou em profunda crise. A maioria das centrais
fechou ou foi vendida para multinacionais. Dezenas de regionais
também entraram no roldão. O processo fez com que
o leite oriundo do cooperativismo caísse vertiginosamente,
tanto que hoje não representa mais do que 50% da produção
nacional.
Não
nos cabe aqui analisar porque tais fatos ocorreram, mas falar de
suas conseqüências. Apenas uma basta para mostrar o quanto
os produtores saíram perdendo: quando as cooperativas ditavam
as regras do preço do leite em todo país, os produtores
recebiam US$ 0,40/litro. Agora recebem menos da metade, em torno
de US$ 0,15. Aí está a origem do nosso drama!
O
produtor brasileiro tem hoje inúmeros desafios a vencer,
mas o maior de todos é fazer com que as cooperativas voltem
a ser o que eram: influentes, sólidas, competitivas. Somente
cooperativas assim poderão recuperar o poder decisivo que
tinham na formação dos preços, condição
básica para que possam oferecer aos produtores remuneração
melhor, justa e principalmente estável. A revitalização
do cooperativismo cabe única e exclusivamente ao produtor.
Se ele não tomar conta da sua própria empresa, quem
tomará então? Presença ativa no dia-a-dia da
cooperativa, análise de balanços, relatórios,
participação nas reuniões e assembléias,
é fundamental. Se a diretoria não apresentar resultados,
ora bolas, troque-a por outra mais eficiente, em vez de abandonar
a cooperativa por comodismo.
Trocando
em miúdos, o que estamos propondo aqui é uma coisa
muito difícil de acontecer: a mudança de mentalidade
do produtor brasileiro de leite. No fundo, ele é boa pessoa,
honesto, zeloso pai de família, católico, mas tem
um defeito grave. É o individualismo, justamente contrário
do cooperativismo.
Se
mudar, todos nossos problemas estarão resolvidos. É
correr para o abraço!
Jorge Rubez – Presidente da Leite Brasil
Julho/2001
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