Nunca
a união do produtor foi tão importante
O movimento ruralista tem uma longa tradição no Brasil,
existindo organizações com notável folha de
serviços para o campo. Essa representação foi
fundamental para que nossa agricultura saísse de sua mediocridade
e se tornasse uma das mais ricas e diversificadas do mundo.
Atualmente
o ruralismo é muito mais importante ainda do que foi no passado.
Não se trata mais de fazer pressão política,
difundir tecnologias, reivindicar preços justos. Tudo isso
continua ainda válido, mas surgiu uma nova demanda, mais
complexa e que impõe pesados desafios.
Referimo-nos
à globalização, que nada mais é do que
a formação de blocos econômicos pelas nações
industrializadas com o único e exclusivo objetivo de subjugar
outros países aos seus interesses. A agricultura é
a área mais sensível da globalização,
pois aquelas nações somente são competitivas
graças ao protecionismo agrícola.
O
Brasil é o mais visado pelas nações ricas devido
ao potencial agrícola e baixos custos de produção
que tem. Ninguém nos vence num cenário de livre concorrência.
Nenhum país consegue produzir leite tão barato como
nós. Soja, frango, laranja, açúcar, carne,
poderiam ter sua exportação triplicada se não
sofressem pesados boicotes no Japão, Europa, Estados Unidos,
em forma de tarifas alfandegárias.
Essas
nações agem assim não apenas por questões
estratégicas, mas também porque são pressionadas
por poderosas organizações de produtores, todas assessoradas
por influentes bancas de advocacia, consultores, lobistas situados
no parlamento. É essa turma que está na retaguarda
do produtor estrangeiro.
Nosso
agricultor não irá a lugar nenhum se não adotar
a mesma tática, ou seja, apoiar mais efetivamente as organizações
que já existem e que ajudaram a construir a agricultura brasileira.
Somente organizações com esse perfil poderão
garantir-lhe maior renda, permanência na atividade, enfim
um futuro mais promissor.
Um
exemplo do impacto positivo na renda do produtor devido a uma política
externa bem conduzida está na pecuária leiteira, que
recentemente conseguiu uma bela vitória. Talvez a mais importante
de toda a história da atividade.
Trata-se
da fixação de direitos anti-dumping em lácteos
importados de um grupo de países, num trabalho levado a efeito
pela Confederação Nacional da Agricultura e Leite
Brasil. Imediatamente após a medida ter saído, os
preços do leite aumentaram e estabilizaram-se nesse patamar.
É
óbvio que não somos contra o isolacionismo comercial,
numa época em que todo o planeta procura se unir em blocos
regionais. Acontece que a aliança para funcionar tem que
ser com iguais e não desiguais. A União Européia,
que começou a ser formada meio século atrás,
deu certo porque se rege dentro desse princípio.
O
caminho natural do Brasil é o Mercosul e fim de papo. Embarcar
na Alca, exigida a toque de caixa pelo presidente George Busch,
sem prévias negociações e regras claras, pode
ser uma armadilha. Não nos esqueçamos de que os Estados
Unidos são liberais apenas da boca para fora: 130 produtos
nossos sofrem barreiras tarifárias maior do que 35% na alfândega
americana!
Jorge
Rubez – Presidente da Leite Brasil
Junho/2001 |