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A
quarta via é a melhor
Está
muito em voga hoje falar sobre a terceira via, como proposta de um modelo
político-econômico ideal para as nações. Essa
terceira via seria uma opção entre o comunismo, retumbante
fracasso, e o capitalismo, que também não cumpriu a missão
de eliminar os graves desajustes sociais do mundo contemporâneo.
Enquanto
os cientistas políticos ficam duelando sobre essas opções,
o que nos interessa aqui é discorrer sobre a quarta via, que tem
muita história e que não precisa provar mais nada para ninguém.
É o caminho que todos procuram para melhorar a qualidade de vida,
embora seja o menos lembrado. Essa quarta via chama-se cooperativismo.
O
cooperativismo foi fundado há mais de dois séculos e desde
então espalhou-se pelo mundo inteiro. Não existe um país
no mundo onde ele não faça parte dos mecanismos de produção.
É a única força com real poder de competição
com os grandes conglomerados econômicos que se formaram a partir
do fim da Segunda Guerra Mundial.
Infelizmente
o produtor brasileiro descuidou-se do cooperativismo. Os exemplos de cooperativas
que deram certo são poucos. A Cooperativa Central de Laticínios
da Estado de São Paulo é uma dessas exceções.
Aquelas que não fecharam, vivem em crise. Essa situação
é típica no setor leiteiro. Se antes 80% da produção
eram controladas por elas, atualmente esse índice caiu para menos
de 50%.
De
quem é a culpa? Certamente dos produtores, que ora não sabem
colocar nas cooperativas dirigentes capacitados, ora deixam-se levar por
práticas inteiramente contrárias à filosofia cooperativista,
contribuindo dessa forma para agravar a saúde financeira das empresas
das quais eles são os próprios e legítimos donos.
Essa
realidade pode ser constatada principalmente na entressafra. É
o exato momento em que acontece o grande êxodo de cooperados para
os laticínios privados, atraídos pela promessa de melhores
preços. O único interesse desses laticínios é
o seu leite e não uma relação duradoura, tanto que
chegada a safra, os preços dos laticínios voltam a ser o
que foram, ou seja, os mais baixos do mercado.
Enquanto
o produtor de leite não mudar essa sua mentalidade individualista,
sua profissão estará sempre sujeita a altos e baixos. O
contrário acontece com os produtores estrangeiros, que fiéis
até a medula às suas cooperativas, não sabem o que
é crise e são remunerados por preços realmente compensadores.
Há
que se considerar ainda que entramos na era da globalização,
que se caracteriza pela formação de grupos muito bem preparados
para competir e impor seus interesses no mercado mundial. Se os produtores
brasileiros não se atentarem para esse fato e continuarem deixando
suas cooperativas falando sozinhas nas horas mais difíceis, resta-lhes
esperar pelo pior.
Jorge
Rubez – Presidente da Leite Brasil
Maio/2001
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