Medidas
antidumping melhoram a renda no leite
Estamos
comemorando uma boa notícia para o produtor de leite.
Trata-se
do encerramento do processo de investigação de dumping
nas importações de leite em pó, conforme já
amplamente noticiado pela imprensa, fruto de trabalho da Leite Brasil,
da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e da
Confederação Brasileira das Cooperativas de Laticínios
(CBCL).
Atendendo
a demanda das entidades, o governo brasileiro tomou uma das mais
importantes decisões para a pecuária nacional: fixou
o direito antidumping nas importações de leite em
pó.
Os
efeitos, certamente profundos, serão sentidos no futuro,
principalmente na renda do produtor de leite que, através
de suas entidades, alcançou uma conquista histórica.
Parece
uma decisão fácil de conseguir, mas foram precisos
dois anos de intenso trabalho das entidades, construindo passo a
passo as informações e provas e apoiando-se em sua
própria estrutura técnica. Ao contrário, os
exportadores gastaram fortunas com os mais renomados escritórios
de advocacia e de economia, que possuem em seus quadros profissionais
com profundo conhecimento de processos desta natureza.
As
alíquotas fixadas são o resultado de cálculos
que tiveram como base os próprios dados fornecidos pelos
exportadores. Os acordos de preços com a Argentina e Uruguai
são baseados nas cotações do leite em pó
no mercado internacional, para a Europa Ocidental e Oriental, constante
da publicação Diary Market News, do Departamento de
Agricultura dos Estados Unidos.
Assim,
o valor de exportação da Argentina e Uruguai para
o Brasil será igual ao mercado internacional. O referencial
de U$ 1.900 por tonelada é um gatilho para o caso de o mercado
cair abaixo deste valor.
A
escolha deste valor não foi aleatória, mas baseado
no estudo de uma série histórica de 20 anos de preço
do leite em pó no mercado internacional. No período,
as cotações só superaram o referencial em duas
ocasiões, das quais a atual é uma delas.
Uma
forma didática de se entender este mecanismo foi descrita
por Vicente Nogueira do Departamento de Economia da CNA.
“Na
prática, o preço mínimo a ser praticado nas
exportações da Argentina para o Brasil será
igual a menor cotação do leite em pó FOB, tomando
como referência a Europa Ocidental e Oriental, que influenciam
fortemente a formação de preço das principais
commodities lácteas no mercado internacional. No entanto,
quando a média aritmética simples das duas últimas
cotações quinzenais levantadas pelo USDA for inferior
a US$ 1.900/t, o preço mínimo de exportação
será de US$ 1.900/t. Contudo, quando o preço obtido
ao multiplicar a cotação de referência do USDA
por 1,11 for inferior a US$ 1.900/t, o preço a ser praticado
nas exportações para o Brasil será o resultado
da multiplicação mencionada. Assim, se o preço
internacional cair abaixo de US$ 1.712/t, o preço mínimo
de venda de leite em pó da Argentina para o Brasil poderá
ser inferior a US$ 1.900/t. Por exemplo, se o preço cotado
pelo USDA for de US$ 1.700/t, o preço mínimo de exportação
para o Brasil será de US$ 1.887/t – resultado da multiplicação
de US$ 1.700/t por 1,11.”
Estamos
convencidos de que a imposição de tarifas, caso da
União Européia e Nova Zelândia, e os acordos
de preços, trarão resultados positivos na produção
interna, estabilizando preços, gerando novos investimentos,
criando novos empregos e alavancando a pecuária leiteira.
Como
resultado inicial ao produtor, logo após a divulgação
da decisão do governo de impor as medidas antidumping, houve
recuperação de preços. Pesquisa conduzida pela
Federação da Agricultura do Estado de São Paulo
(FAESP) demonstra que após 5 meses de constante queda os
preços do leite ao produtor paulista voltam a crescer em
março de 2001. O leite tipo B recebeu um reajuste médio
de 3,3% e o tipo C de 4,1%.
Ao
mesmo tempo em que os preços começaram a melhorar,
iniciou um movimento de reativação de fábricas
e de novos investimentos em bacias leiteiras não tradicionais.
A
vitória das entidades contra o dumping no leite está
criando um ambiente favorável para a venda da matéria
prima leite aos laticínios. É preciso que o produtor
capitalize este efeito positivo convertendo-o em melhor preço.
Terá mais chance de sucesso aproximando-se de suas verdadeiras
entidades econômicas (cooperativas) e associativas (Leite
Brasil e CNA/Federações de Agricultura).
Jorge
Rubez – Presidente da Leite Brasil
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